19 de fevereiro de 2010

G'anda galo...




Esta semana tirei férias.
Estava a planear finalmente ir conhecer a Retrosaria da Rosa Pomar, em Lisboa e tinha "agendado" para 4ª feira. Fui ao blogue e li que a loja estava fechada para mini-férias até 4ª feira, por isso reagendei para 5ª.  Lá fui, toda contente com a minha mãe, de comboio, metro, penantes... para chegar lá, subir 2 andares de escadas a pique e ler um papel na porta a dizer "Estamos fechados dias 15, 17 e 18 de Fevereiro, reabrimos no dia 19". Mas que galo! Eu li no blogue que era até 4ª, tenho a certeza... Um frio horrível, chuva a intervalos, um imbróglio razoável para tentar perceber como funciona o cartão Lisboa Viva (não tem lógica nenhuma...) e nós na Baixa de propósito para darmos com o nariz na porta!

Enfim, aproveitámos para dar umas voltinhas pelas retrosarias e lojas de tecidos da Baixa, mas muito a correr. Realmente, eu acho que este país parou no tempo... fomos a uma conhecidíssima retrosaria, a Botilã, para ver se tinham uma fitinha para as coisas da minha mãe e, já agora, para cuscar um bocadinho e ver os materiais que lá tinham. Pois bem, chegamos, temos um balcão e temos de pedir às senhoras que atendem o que queremos. "Ah, quero um botão assim e assado, nesta cor..." "Ah, não temos! Só temos se for cozido". "Então e fitinhas, tem xpto?" "Não, só temos se for otpx."

Resumido, ou uma pessoa sabe exactamente o que quer ou adivinha, porque senão não vale a pena ir lá tentar inspirar-se porque não pode ver o que há, mexer nas coisas, procurar... Sim, têm medo de ser roubados, mas com este sistema deixam de vender muita coisa, de certeza. Uma pessoa vai a Londres (que é o que eu conheço) e tem armazéns com prateleiras cheias de coisas e coisinhas para costura, tricot, crochet, crafts em geral. E pode mexer, escolher, pegar, tocar... vai metendo no cesto e no fim vai pagar, nada mais simples. Roubos? Sim, acredito que tenham alguns. Mas compensa de certeza.

Em Portugal conheço uma loja do género, que tem tecidos e retrosaria para a pessoa poder escolher à vontade. Funciona tipo supermercado, vamos escolhendo, metendo no cesto e se quisermos tecidos pedimos às funcionárias para cortarem. É grande, tem uma boa variedade de materiais e tecidos, nalgumas coisas os preços são bons, noutras nem por isso. É o Park dos Tecidos, em Cascais e Alcabideche. Eu sou fã! Agora, a Baixa... um fiasco, quanto a mim!


6 de fevereiro de 2010

As minhas máquinas de Costura

Não vos contei, mas tive de "despedir" a Bernette. É sem dúvida uma boa máquina, especialmente para o preço, faz tudo e mais alguma coisa, é electrónica, tem muitas luzes... só lhe falta tirar cafés. Mas realmente, para o tipo de costura que eu faço, por vezes sobre várias camadas de tecido e eventualmente de entretelas e enchimentos, não dava conta do recado. Encravava, apitava, fazia uns barulhos estranhos e não saía dali. Quando encravava por estar a coser por cima de muito tecido tinha de a desligar, tirar o trabalho da máquina, desfazer se necessário e tentar novamente. O facto de ser electrónica não ajudava nada, porque era tipo computador: queres sair desta, então desliga e volta a ligar.

Na realidade, a Bernette é uma sub-marca da Bernina, marca sueca de renome na área de equipamentos para costura. No entanto, é uma sub-marca muito mais barata que a Bernina e produzida na China. Devo dizer que me deixei deslumbrar pelas luzes e pelas características da máquina e não vi a óbvia falta de qualidade da montagem e dos plásticos. E, ingenuamente, achei que pelo preço que paguei estava a comprar uma máquina capaz de coser sem problemas umas bainhas de ganga, por ex.

Resolvi trocá-la, ainda no período de experiência, por uma máquina mecânica. E, já agora, por uma marca também de renome mas de nacionaldade alemã. Comprei uma PFAFF Select 3.0. É o oposto da Bernette, o que tem de sólido falta-lhe em luzinhas a piscar. Tem uns botões enormes para seleccionar os pontos, cose, supostamente, por cima de 12 camadas de ganga e tem um sistema exclusivo da PFAFF, o IDT, que puxa simultaneamente o tecido de cima e o de baixo a imitar o trabalho do famoso "walking foot" usado correntemente em quilting. O IDT consiste num acessório com "dentes" por trás do pé calcador, que se pode colocar em uso ou não, e que vai agarrando e levando o tecido ao mesmo tempo que os dentes da base da máquina fazem o mesmo ao tecido de baixo.

Não vou dizer que a PFAFF cose tudo sem dificuldade, há alguns trabalhos em que precisa de uma mãozinha minha, bem devagarinho e a ajudar com o volante, para passar. Mas passa...! E não faz barulhos estranhos. E faz, de facto, o que eu quero que faça.

De modo que tenho a minha PFAFF há duas semanas, já coseu bastante e bem, e eu estou satisfeita da vida!

3 de fevereiro de 2010

Porquê Maria Café?

Muita gente me pergunta "Porquê Maria Café?". Realmente... não me chamo Maria, o bicho até nem é especialmente bonito, por isso porquê?

A história vem de miúda, da época em que os bichos de conta, as marias cafés, os caracóis e as formigas eram brinquedos do dia-a-dia. Fazíamos casinhas, dávamos-lhes folhas para comer, literalmente chafurdávamos na terra, ganhávamos defesas e imunidades que ainda hoje estão activas.



Ainda nos meus tempos de miúda, eventualmente um pouco mais crescida, sempre gostei de espirais, sempre achei uma forma muito harmoniosa e esteticamente agradável. Lembro-me no Liceu de aprender a fazer espirais com compasso e tira-linhas e de, apesar do pouco jeito (nunca tinha grandes notas nesses trabalhos), adorar o efeito final. Quando comecei a pintar t-shirts para mim e para amigos, lembrei-me de lhes colocar uma marca minha. Ora a Maria Café quando descansa enrola-se numa espiral. Maria Café é um nome engraçado, que fica na memória, é orgânico. Por isso passei a desenhar uma espiral nas t-shirts e a assinar Maria Café. Um dia destes ponho aqui uma foto de uma dessas t-shirts, verdadeiras relíquias nos dias de hoje, hehehe...

Agora, quando resolvi começar a fazer coisas em costura, o primeiro nome que me veio à cabeça foi precisamente Maria Café. Com a ajuda do marido, o meu designer (Director de Arte!) particular, a Maria Café ganhou um logotipo que eu adoro, com várias derivações de que não me canso.

Portanto, Maria Café porque sim, eu brinquei com bichos em miúda e nunca tive nojo de lhes pegar (só as lesmas é que sempre me deram arrepios só de olhar para elas, quanto mais tocar-lhes). Porque sempre tive uma "tara" por espirais. Porque gosto do nome, é sonante e anda na minha cabeça há muitos anos. Porque tinha de ser!
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