20 de outubro de 2013

Os pais e a tortura do sono

Há uns dias li este artigo de uma mãe sobre o difícil que é aguentar as noites mal dormidas por causa dos filhos. Identifiquei-me com quase tudo o que ela disse, embora nesta altura (espero eu) a fase das más noites pareça estar a passar aqui por casa. Mas a privação de sono é algo que me afecta a um nível tal que me deixa quase incapacitada... especialmente se for regular.

Dos meus três filhos, o Miguel tem sido o mais difícil para adormecer. Mesmo depois de adormecer, tem o sono leve. Não só em bebé de leite, ainda hoje é assim. Tirámo-lo do quarto dos irmãos ainda pequenino porque acordava com frequência a chorar e acordava-os. Durante meses adormecia na sala connosco e só o deitávamos já a dormir profundamente. E quando nos íamos deitar era certinho que o seu sensor dava o alerta e desatava a chorar. De tal maneira que não ficava na cama por nada, por isso acabei por passar muitas noites em claro com ele na sala... e os dias eram difíceis, porque a noite mal dormida deixava mossa e o cansaço ia-se acumulando. E a paciência, especialmente ao final do dia, era pouca, muito pouca, o que com três filhos é difícil de gerir.

Até que decidimos que tínhamos mesmo de o ensinar a adormecer na cama dele, a dormir a noite toda e a deixar-nos descansar. O Miguel precisava de dormir e nós também, para bem do funcionamento familiar! Ainda li algumas coisas, por exemplo artigos sobre o método estivil e opiniões em blogs e grupos do facebook. Ao princípio achei absurdo, depois percebi que não era bem o que se dizia e resolvi experimentar. Não resultou, porque ele ficava enervado por o deixarmos sozinho e de cada vez que lá íamos piorava mais um bocado. Não consegui, e ainda bem! E então resolvi adaptar o método segundo o que o instinto me dizia. Deitávamo-lo na cama, ele chorava, e um de nós ficava ao lado dele, sem lhe pegar, até ele adormecer. Ia choramingando, mas via que estava ali alguém ao lado dele e acabava por se calar e dormir. Continuou a acordar durante a noite, mas normalmente uma festinha e pôr a chucha eram suficientes. Até que se habituou à cama, quando acordava a meio da noite parecia que sentia que era ali que tinha adormecido por isso voltava a adormecer.

Às tantas resolvemos voltar a pô-lo a dormir com os irmãos, já que o que ele queria era companhia para adormecer. Ao princípio resultou, depois deixou de resultar e lá tivemos de passar a ficar um de nós sentado ao lado dele até adormecer. Depois até isto deixou de resultar, de modo que passámos a deixá-lo chorar e chamar, com os irmãos ao lado a tentar adormecer ou já a dormir, nunca sozinho. Aos poucos vai espaçando o choro e acaba por adormecer. Parece cruel, mas a verdade é que se um de nós lá vai só piora porque ele chora mais ainda. Agora é assim que funciona: vão todos para a cama, ele diz que não e fica a choramingar, vai chamando por nós mas acaba por ser o primeiro a adormecer. Os bebés precisam de rotina para se sentirem seguros... o meu bebé precisa de chorar um bocadinho para adormecer, é a rotina dele.

Moral da história: não há um método infalível para ensinar os bebés a dormir. Não sou adepta do adormecer ao colo, embora com o Zé esse tenha sido o método que melhor resultou. Coitadinhas das minhas costas, na altura! Com o Miguel o colo não resulta, nunca resultou! O Miguel tem de estar sozinho, sem mimos, sem toque... com alguém perto, sim, mas nunca enroscado no colinho, ele não gosta. Também não consigo deixá-los chorar até adormecerem a soluçar, parte-me o coração. Quando deixo o Miguel chorar, se vejo que ele não começa a espaçar o choro acabo por ir buscá-lo ou dou-lhe leite ou fico com ele até acalmar, mas não o deixo chorar até à exaustão.

Até com o mesmo bebé uma estratégia pode resultar durante algum tempo e de repente deixar de resultar. Aconteceu isso com o Miguel várias vezes, por isso tivemos de mudar de estratégia. Neste momento resulta assim, e até tem dormido a noite toda. Quando choraminga a meio da noite não vamos lá a não ser que seja obvio que não se vai calar e adormecer. Porque se choraminga e vamos lá é certinho que não conseguimos sair sem ele ao colo. E aí a noite fica estragada para um de nós, claro! Espero que continue a resultar, até porque ele vai fazer 2 anos e vai deixar de ser (pelo menos oficialmente) um bebé... é normal que comece a deixar de fazer estas birras, acho eu, espero eu! Não sei se vamos ter de inventar mais alguma estratégia para o ajudar (e a nós) a dormir bem, mas se tiver de ser será. Haja imaginação...

Rejeito totalmente a ideia de que os pais que se queixam porque os filhos não dormem não passam de adultos egoístas que não percebem que se os filhos estão acordados é porque não precisam de dormir e que têm mais é de aguentar e cumprir a sua função de pais, sejam os bebés fáceis ou difíceis de adormecer. Mas já li esta teoria algures: nós somos os adultos, por isso temos de nos aguentar e estar lá para o bebé, queira ele dormir ou estar acordado, ao colo ou deitado em cima de nós, a puxar-nos o cabelo ou a dar-nos pontapés. Acho absurdo e pouco saudável, tanto para o bebé como para os pais. Para o bebé são evidentes as vantagens de dormir bem. Pais mal dormidos e cansados não só são menos produtivos, mas principalmente têm muito menos paciência para os filhos, para brincar com eles, para conversar e conviver enquanto estes estão acordados. E a família sai prejudicada.

Também sei que há crianças que não cedem a métodos, rotinas ou estratégias. A minha solidariedade está com esses pais, porque se me queixo que o meu filho é difícil para dormir, sei que sou uma sortuda ao pé de outros pais que conheço. Que desde que são pais não dormem uma noite seguida... isso sim, é tortura continuada, que cansa e desgasta. A esses pais aconselho que contactem um especialista no sono dos bebés. Nunca experimentei, mas os testemunhos que tenho lido são muito positivos. Conheço (apenas de nome) a Carolina Albino, de quem li maravilhas, e a Sleepy Time, ambas em Lisboa.

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